MODERNIZADOR ULTRAPASSADO
Moderno. Essa é uma palavra que indica claramente o objetivo da palavra evolução, embora geralmente não se faça tal associação, pois o ser humano detém-se apenas no resultado final. Ou seja, para ele tudo o que é moderno é simplesmente atual. Pensando nisso, cabe a pergunta: quão moderno é o homem, afinal?
Sabe-se que a principal diferença entre o ser humano e os demais seres que habitam este planeta é a sua manifestação racional. É o tipo de capacidade que permite questionar-se: quanto tempo o homem reserva para os seus próprios pensamentos? Mais especificamente, para meditar acerca de uma vida rotineira? Quanto tempo o homem dispõe de seu dia-a-dia para se “automodernizar”, deixando de inovar apenas o que está ao seu redor? Com certeza o capitalismo nos dá a resposta a tal questionamento. Cada vez mais, o homem decide que pensar dá muito trabalho, pois terá de competir com homens que pensam mais do que ele. Assim, opta pelo caminho mais fácil: entregar-se a uma rotina mecânica e mesmo sem qualquer propósito genuíno para a sua autorrealização. Daí origina-se o estresse, os conflitos familiares e a insegurança quanto a própria potencialidade.
Num mundo onde a exclusão social impera, prossegue a realidade de um círculo vicioso que para muitos produz, mas não pensa; que concretiza, mas que por nada em si realiza; que ilude, mas não satisfaz; que pressiona, mas nada define. Num mundo onde o ter ainda prevalece sobre o ser, tudo é moderno, menos aquele que a tudo moderniza.
Lucas Borba
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
CRIANÇAS
Dizem que as crianças são manifestações da pureza, e é verdade. Ainda que pareça contraditório, gosto de dizer que elas agem segundo o que são, e não segundo o que acreditam ser. Tive novas provas disso durante o trabalho que realizei com as crianças de terceira e quarta séries do colégio La Salle Caxias, escola em que estudo desde a 7ª série. Sou portador de deficiência visual, e atualmente encontro-me na 3ª série do Ensino Médio, último ano do colegial, e fora o fato de que adoro crianças, creio que por estar partindo para a faculdade foi que se tornou ainda mais gratificante a chance de passar aquela preciosa tarde com seres que estão no comecinho de tudo.
Como ainda sou uma criança no mundo dos adultos, fiquei um pouco nervoso no começo. Ainda não tenho muito jeito para falar em público, e as crianças detectam qualquer sinal de insegurança; mas assim que o trabalho começou, fui relaxando e acabei me soltando, pois se você conhece alguém que consegue ficar nervoso perto de crianças por muito tempo, tome cuidado.
Comecei com a 3ª série. Primeiro, me apresentei: disse meu nome, idade (18 anos), citei as escolas onde estudei antes de chegar no La Salle e informei a eles que sou cego desde bebê por ter nascido com uma doença chamada Glaucoma Congênito. Depois, li para eles um livrinho infantil em braile, intitulado “Um mundinho para todos”, que fala sobre a importância de conviver com as diferenças. Eles ficaram realmente impressionados com o braile e com a velocidade com que eu o lia, e a 4ª série até quis chegar mais perto para ver melhor. Fiquei muito feliz por poder mostrar a eles que o braile não é nem um bicho de sete cabeças, mas que assim como eles aprenderam ler e escrever seus símbolos, com muito treino adquirimos prática em qualquer coisa. Por fim, tentei tocar algumas músicas no violão, mas o instrumento estava desafinado, então acabei só cantando mesmo.
E então começaram as perguntas. Já teriam começado desde o início do trabalho se as professoras que o coordenavam não tivessem pedido às crianças que as deixassem para o final. E elas tinham mesmo muitas perguntas, mas pareciam apreensivas, pois os adultos, sabiamente, lhes dizem para ter cuidado com o que perguntam a alguém, principalmente a um estranho. Em resumo, a sensação de compartilhar parte da sua história com quem você sabe que a interpretará como uma genuína fonte de exemplo, coragem e força para seguir em frente (principalmente quando se está sozinho), e a sua energia com quem é capaz de convertê-la na mais pura felicidade, é mais do que reconfortante. Nos tempos atuais, é o que podemos chamar de paz.
As crianças são mais que a esperança do futuro, são um presente para o presente; e com certeza não digo isso pela caixa de bombons com um cartão em braile contendo os agradecimentos e parabenizações em nome da escola que ganhei na hora da despedida. Só tenho a agradecer a escola pela oportunidade que tive de divulgar mais um pouco a importância de preservar hoje o que ainda há de bom. Mais que para as gerações futuras, devemos dias melhores à criança que há em cada um de nós.
Por Lucas Borba
Dizem que as crianças são manifestações da pureza, e é verdade. Ainda que pareça contraditório, gosto de dizer que elas agem segundo o que são, e não segundo o que acreditam ser. Tive novas provas disso durante o trabalho que realizei com as crianças de terceira e quarta séries do colégio La Salle Caxias, escola em que estudo desde a 7ª série. Sou portador de deficiência visual, e atualmente encontro-me na 3ª série do Ensino Médio, último ano do colegial, e fora o fato de que adoro crianças, creio que por estar partindo para a faculdade foi que se tornou ainda mais gratificante a chance de passar aquela preciosa tarde com seres que estão no comecinho de tudo.
Como ainda sou uma criança no mundo dos adultos, fiquei um pouco nervoso no começo. Ainda não tenho muito jeito para falar em público, e as crianças detectam qualquer sinal de insegurança; mas assim que o trabalho começou, fui relaxando e acabei me soltando, pois se você conhece alguém que consegue ficar nervoso perto de crianças por muito tempo, tome cuidado.
Comecei com a 3ª série. Primeiro, me apresentei: disse meu nome, idade (18 anos), citei as escolas onde estudei antes de chegar no La Salle e informei a eles que sou cego desde bebê por ter nascido com uma doença chamada Glaucoma Congênito. Depois, li para eles um livrinho infantil em braile, intitulado “Um mundinho para todos”, que fala sobre a importância de conviver com as diferenças. Eles ficaram realmente impressionados com o braile e com a velocidade com que eu o lia, e a 4ª série até quis chegar mais perto para ver melhor. Fiquei muito feliz por poder mostrar a eles que o braile não é nem um bicho de sete cabeças, mas que assim como eles aprenderam ler e escrever seus símbolos, com muito treino adquirimos prática em qualquer coisa. Por fim, tentei tocar algumas músicas no violão, mas o instrumento estava desafinado, então acabei só cantando mesmo.
E então começaram as perguntas. Já teriam começado desde o início do trabalho se as professoras que o coordenavam não tivessem pedido às crianças que as deixassem para o final. E elas tinham mesmo muitas perguntas, mas pareciam apreensivas, pois os adultos, sabiamente, lhes dizem para ter cuidado com o que perguntam a alguém, principalmente a um estranho. Em resumo, a sensação de compartilhar parte da sua história com quem você sabe que a interpretará como uma genuína fonte de exemplo, coragem e força para seguir em frente (principalmente quando se está sozinho), e a sua energia com quem é capaz de convertê-la na mais pura felicidade, é mais do que reconfortante. Nos tempos atuais, é o que podemos chamar de paz.
As crianças são mais que a esperança do futuro, são um presente para o presente; e com certeza não digo isso pela caixa de bombons com um cartão em braile contendo os agradecimentos e parabenizações em nome da escola que ganhei na hora da despedida. Só tenho a agradecer a escola pela oportunidade que tive de divulgar mais um pouco a importância de preservar hoje o que ainda há de bom. Mais que para as gerações futuras, devemos dias melhores à criança que há em cada um de nós.
Por Lucas Borba
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
ANIME – DEATH NOTE (dublado e legendado)
Sinopse: O Death Note é um caderno no qual os Shinigamis (deuses da morte) anotam os nomes e causas de morte dos humanos. Quem tem seu nome escrito lá, morre instantes depois. Acontece que um caderno desses foi parar na mão de um humano, que passa a utilizá-lo para salvar o mundo dos seres de má índole, matando-os. Raito (ou Light, em inglês) pode usar o Death Note sem precisar dar nada em troca ao Shinigami, pelo contrário, até ganha um amigo de conversas. O Shinigami explica que a única pena por utilizar o Death Note é o peso de saber que tirou uma vida, mas para Raito isso não parece um problema...
Adaptado de:
http://www.animeforces.com/?page=animes&id=438
Episódios
01. Renascimento
Dublado:
http://www.4shared.com/file/112213789/4efca698/DN_01.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download4018742753AnimeTotal_Death-Note01.zip46329
02. Confronto
Dublado:
http://www.4shared.com/file/112226836/4695af1d/DN_02.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download2818650137AnimeTotal_Death-Note02.zip46935
03. Negociações
Dublado:
http://www.4shared.com/file/112240081/9f3d18b1/DN_03.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download6418747894AnimeTotal_Death-Note03.zip46277
04. Perseguição
Dublado:
http://www.4shared.com/file/112255145/3f992011/DN_04.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download773359501093AnimeTotal_Death-Note04.zip46203
05. Táticas
Dublado:
http://www.4shared.com/file/112572676/72e06f8c/DN_05.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download6511123207AnimeTotal_Death-Note05.zip43857
06. Desenrolando
Dublado:
http://www.4shared.com/file/112287707/e3eff4b1/DN_06.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download6711126181AnimeTotal_Death-Note06.zip48283
07. Encoberto
Dublado:
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Legendado:
http://rapidshare.com/#!download7011128951AnimeTotal_Death-Note07.zip47355
08. Ofuscação
Dublado:
http://www.4shared.com/file/112313482/103412ec/DN_08.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download711131679AnimeTotal_Death-Note08.zip48405
09. Encontro
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Legendado:
http://rapidshare.com/#!download5311134252AnimeTotal_Death-Note09.zip47216
10. Dúvida
Dublado:
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11. Assalto
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12. Amor
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Legendado:
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13. Confissões
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Legendado:
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14. Amigo
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15. Aposta
Dublado:
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Legendado:
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16. Decisão
Dublado:
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Legendado:
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17. Execução
Dublado:
http://www.4shared.com/file/116442703/34baea95/DN_17.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download7924328151AnimeTotal_Death-Note17.zip48059
18. Aliado
Dublado:
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19. Matsuda
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Legendado:
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20. Artifício
Dublado:
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Legendado:
http://rapidshare.com/#!download420605083AnimeTotal_Death-Note20.zip48406
21. Performance
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22. Direção
Dublado:
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23. Frenesi
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24. Revival
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Legendado:
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25. Silêncio
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Legendado:
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26. Renovação
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Legendado:
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27. Abdução
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28. Impaciência
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Legendado:
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29. Pai
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30. Justiça
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31. Transferência
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32. Seleção
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33. Desprezo
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34. Vigilância
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35. Malícia
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36. 1.28
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37. Novo Mundo (episódio final)
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Sinopse: O Death Note é um caderno no qual os Shinigamis (deuses da morte) anotam os nomes e causas de morte dos humanos. Quem tem seu nome escrito lá, morre instantes depois. Acontece que um caderno desses foi parar na mão de um humano, que passa a utilizá-lo para salvar o mundo dos seres de má índole, matando-os. Raito (ou Light, em inglês) pode usar o Death Note sem precisar dar nada em troca ao Shinigami, pelo contrário, até ganha um amigo de conversas. O Shinigami explica que a única pena por utilizar o Death Note é o peso de saber que tirou uma vida, mas para Raito isso não parece um problema...
Adaptado de:
http://www.animeforces.com/?page=animes&id=438
Episódios
01. Renascimento
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02. Confronto
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03. Negociações
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04. Perseguição
Dublado:
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05. Táticas
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06. Desenrolando
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07. Encoberto
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08. Ofuscação
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09. Encontro
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10. Dúvida
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11. Assalto
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12. Amor
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13. Confissões
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14. Amigo
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16. Decisão
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17. Execução
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18. Aliado
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19. Matsuda
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20. Artifício
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21. Performance
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22. Direção
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23. Frenesi
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24. Revival
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25. Silêncio
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http://www.4shared.com/file/148189758/84fc49d2/DN_25.html
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http://rapidshare.com/#!download9124504831AnimeTotal_Death-Note25.zip48685
26. Renovação
Dublado:
http://www.4shared.com/file/148199178/8f277e52/DN_26.html
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http://rapidshare.com/#!download9826025837AnimeTotal_Death-Note26.zip48131
27. Abdução
Dublado:
http://www.4shared.com/file/148203834/9153c49/DN_27.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download13027065908AnimeTotal_Death-Note27.zip46498
28. Impaciência
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http://www.4shared.com/file/148213697/5d0d81c3/DN_28.html
Legendado:
http://rapidshare.com/#!download7128440060AnimeTotal_Death-Note28.zip48714
29. Pai
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30. Justiça
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31. Transferência
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32. Seleção
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33. Desprezo
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34. Vigilância
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35. Malícia
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36. 1.28
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37. Novo Mundo (episódio final)
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domingo, 3 de outubro de 2010
O QUINTO ELEMENTO
Para Jobis
Há pouco mais de dois anos, na aula de matemática, a professora da disciplina propriamente dita, juntamente com a professora de física e com a coordenadora do SOE (Serviço de Orientação Educacional), realizou uma dinâmica com minha turma, que obrigou meus colegas a recorrer – ou pelo menos a tentar recorrer, aos elementos que são fundamentais para mim, que sou deficiente visual, enxergar sem necessariamente ver. Entre eles estão os sentidos da audição, do olfato, do tato e do paladar. Há, entretanto, um quinto e último elemento, o mais importante de todos, a tal ponto que sem ele a utilidade dos demais se torna quase nula.
As professoras solicitaram que meus colegas vendassem os olhos, e eles assim o fizeram, teoricamente, mergulhando na total escuridão. A seguir, todos recebemos um isopor, um plano cartesiano em relevo e dez alfinetes. Nossa missão, explicaram, era dividida em duas partes. Primeiro, devíamos prender o plano cartesiano ao isopor com os alfinetes. Feito isso, cabia-nos localizar e marcar com os alfinetes restantes os pontos que eram solicitados nas retas x e y. Meu tato e o inseparável quinto elemento entraram em ação. Tendo a devida calma, consegui localizar e marcar os pontos sem maiores problemas. Já meus colegas, como se esperava, apresentaram visível dificuldade, por exemplo, em localizar o ponto central, ou ponto (0, 0), ainda que este fosse identificado com uma textura mais grossa da que compunha o restante do plano cartesiano. Alguns reclamaram que estavam faltando alfinetes. Se de fato estavam, ou se meus colegas é que não obtiveram sucesso em localizá-los, não faço idéia.
Terminada a primeira parte da dinâmica, as professoras pediram que todos levantassem de suas carteiras e ficassem de mãos dadas, de modo a formar uma corrente. A ordem que nos foi dada a seguir foi simples, executá-la é que se revelou ser um desafio dos grandes para meus colegas, que, é claro, deviam continuar de olhos vendados. A porta da sala foi aberta, permitindo nossa passagem para o corredor em que devíamos caminhar às cegas, orientados pela professora de matemática, que ia na frente, guiando a turma. A professora de física, a coordenadora do SOE e até o zelador da escola andavam logo atrás, observando o desenrolar dos acontecimentos. Foi por isso, dado o modo como a atividade foi realizada, que não precisei da minha bengala para andar com facilidade. É verdade que com o avanço, seja por afobação ou por confiança em demasia, muitas mãos se soltaram, mas o que conta é que, independentemente, ninguém se deu por vencido. Nos achávamos no segundo andar da escola. A corrente – ou algo que devia lembrar uma corrente, foi conduzida até o extremo esquerdo do corredor, em que se encontram as escadas de acesso aos demais níveis do prédio. Devagar, entre manifestações de pura incredulidade e insegurança, toda turma desceu as escadas até o primeiro andar. Lá chegando, caminhamos pelo corredor que se estendia a nossa direita até a extremidade oposta, onde uma porta indica a entrada do Audiovisual. A porta foi aberta e todos entramos no aposento, já tateando a procura das carteiras em que devíamos nos sentar. Só então as professoras permitiram que meus colegas retirassem as vendas e descobrissem onde se encontravam.
Não reparei em ninguém que não tenha ficado surpreso ao constatar qual sua real localização. O que é claro, tão pouco me surpreendeu, tendo em vista a óbvia ausência que cada um deles tem do quinto elemento em momentos como este, em que todas as luzes se apagam. A este elemento damos o nome de EXPERIÊNCIA. É ela a recompensa por todos os momentos ruins, além dos bons, que vivemos durante a vida, e a origem da consistência de nosso caráter.
Por Lucas Borba
Para Jobis
Há pouco mais de dois anos, na aula de matemática, a professora da disciplina propriamente dita, juntamente com a professora de física e com a coordenadora do SOE (Serviço de Orientação Educacional), realizou uma dinâmica com minha turma, que obrigou meus colegas a recorrer – ou pelo menos a tentar recorrer, aos elementos que são fundamentais para mim, que sou deficiente visual, enxergar sem necessariamente ver. Entre eles estão os sentidos da audição, do olfato, do tato e do paladar. Há, entretanto, um quinto e último elemento, o mais importante de todos, a tal ponto que sem ele a utilidade dos demais se torna quase nula.
As professoras solicitaram que meus colegas vendassem os olhos, e eles assim o fizeram, teoricamente, mergulhando na total escuridão. A seguir, todos recebemos um isopor, um plano cartesiano em relevo e dez alfinetes. Nossa missão, explicaram, era dividida em duas partes. Primeiro, devíamos prender o plano cartesiano ao isopor com os alfinetes. Feito isso, cabia-nos localizar e marcar com os alfinetes restantes os pontos que eram solicitados nas retas x e y. Meu tato e o inseparável quinto elemento entraram em ação. Tendo a devida calma, consegui localizar e marcar os pontos sem maiores problemas. Já meus colegas, como se esperava, apresentaram visível dificuldade, por exemplo, em localizar o ponto central, ou ponto (0, 0), ainda que este fosse identificado com uma textura mais grossa da que compunha o restante do plano cartesiano. Alguns reclamaram que estavam faltando alfinetes. Se de fato estavam, ou se meus colegas é que não obtiveram sucesso em localizá-los, não faço idéia.
Terminada a primeira parte da dinâmica, as professoras pediram que todos levantassem de suas carteiras e ficassem de mãos dadas, de modo a formar uma corrente. A ordem que nos foi dada a seguir foi simples, executá-la é que se revelou ser um desafio dos grandes para meus colegas, que, é claro, deviam continuar de olhos vendados. A porta da sala foi aberta, permitindo nossa passagem para o corredor em que devíamos caminhar às cegas, orientados pela professora de matemática, que ia na frente, guiando a turma. A professora de física, a coordenadora do SOE e até o zelador da escola andavam logo atrás, observando o desenrolar dos acontecimentos. Foi por isso, dado o modo como a atividade foi realizada, que não precisei da minha bengala para andar com facilidade. É verdade que com o avanço, seja por afobação ou por confiança em demasia, muitas mãos se soltaram, mas o que conta é que, independentemente, ninguém se deu por vencido. Nos achávamos no segundo andar da escola. A corrente – ou algo que devia lembrar uma corrente, foi conduzida até o extremo esquerdo do corredor, em que se encontram as escadas de acesso aos demais níveis do prédio. Devagar, entre manifestações de pura incredulidade e insegurança, toda turma desceu as escadas até o primeiro andar. Lá chegando, caminhamos pelo corredor que se estendia a nossa direita até a extremidade oposta, onde uma porta indica a entrada do Audiovisual. A porta foi aberta e todos entramos no aposento, já tateando a procura das carteiras em que devíamos nos sentar. Só então as professoras permitiram que meus colegas retirassem as vendas e descobrissem onde se encontravam.
Não reparei em ninguém que não tenha ficado surpreso ao constatar qual sua real localização. O que é claro, tão pouco me surpreendeu, tendo em vista a óbvia ausência que cada um deles tem do quinto elemento em momentos como este, em que todas as luzes se apagam. A este elemento damos o nome de EXPERIÊNCIA. É ela a recompensa por todos os momentos ruins, além dos bons, que vivemos durante a vida, e a origem da consistência de nosso caráter.
Por Lucas Borba
PENA DE MORTE
PARTE 1
Situando
Um dia, uma dúvida puramente humana nasceu. E por mais que refletisse, não conseguia me livrar dela. Até que tive um sonho.
A escuridão era total, e eu sentia o chão duro sob meus pés, de pedra ou concreto, talvez. Apesar da escuridão, entretanto, conseguia ver a criatura parada à minha frente. Como eu a via? Não faço idéia, simplesmente via.
Ela fixava em mim seus olhos negros. Há quem diga, eu sei, que ela tem dois riscos pretos no lugar dos olhos. Mas eu a vi, ainda que em sonho, e afirmo que ela tinha olhos, sim, embora negros. E eles nunca piscaram.
- Quem é você? eu perguntei estranhamente calmo.
- Você sabe quem eu sou.
A calma se foi.
- Se soubesse não estaria perguntando.
- Não é verdade. Você sabe e ainda assim está perguntando.
Eu tive que fechar os olhos e respirar fundo antes de falar. Quando abri os olhos, nada havia mudado.
- Tudo bem, você por um acaso tem o poder de ler mentes? Por que eu deveria saber quem você é?
- Porque é óbvio, até para pessoas bem menos inteligentes. Você sabe que está sonhando, portanto deixe de apelar para a racionalidade.
E era verdade. Por mais ridículo ou irracional que fosse, eu não podia ignorar o que via na condição em que via.
- Então... você é...
- Vamos, diga. – pressionou a criatura.
- Você é a morte. - eu disse resoluto e novamente calmo.
- Acertou.
Incontáveis perguntas passaram num relâmpago por minha mente, mas optei pela que julguei ser mais relevante no momento.
- Veio me buscar?
- Buscá-lo?
Ela pareceu achar graça.
- Como poderia? Estamos num sonho, e só posso levá-lo na vida real. Se fosse esse meu objetivo, acha que me daria ao trabalho de aparecer num sonho? Não, eu vim para ajudá-lo.
Eu não esperava por aquilo... ou será que esperava?
- Me ajudar? Por quê?
- Você sabe por quê.
- Não, não sei.
- É claro que sabe. E a maior prova disso é que, ao invés de perguntar com o que pretendo ajudá-lo, optou por um motivo. Você jamais perguntaria por que alguém que você nunca viu na vida iria ajudá-lo sem saber primeiramente a que tipo de ajuda o mesmo estaria se referindo, a não ser...
- A não ser o quê? Perguntei, pasmo.
- A não ser que já saiba ao que eu estou me referindo e esteja fugindo quase inconscientemente de algo que tenha muito medo de enfrentar, a ponto de ser tolo o bastante para agir como se a dúvida que agora está entranhada no âmago do seu ser não existisse.
- Okay – eu disse com toda calma, talvez por nunca ter sentido tanta raiva na vida. – Agora volte um pouco a fita. Por um acaso eu não poderia ser uma pessoa diferente, que foge dos padrões, e que devido aos princípios de uma filosofia bem formada goste de perguntar a quem lhe ofereça ajuda a razão por o estar fazendo antes de se voltar para a natureza da ajuda em si? Ah, e as pessoas nem sempre se dão ao trabalho de medir as palavras tão minuciosamente, sabe? Muitas vezes, ao perguntarem “por quê”, elas já esperam receber como resposta um motivo e uma circunstância, já que as duas coisas andam juntas.
- Não é o seu caso.
E era verdade, outra vez.
PARTE 2
Debatendo
Foi então que eu percebi, estando cara-a-cara com a morte, que o que eu sentia não era raiva, mas pura incredulidade.
A Morte disse:
- Se deixar que eu o ajude, prometo que quando acordar terá encontrado a resposta que procura.
Engraçado como as coisas começavam não ser exatamente o que pareciam.
- Mas... – algo curioso me ocorreu. - ... se você é a morte, por que perderia tempo ajudando alguém? Você por um acaso tem outra função que não nos levar deste mundo?
- Creio que ambos sabemos que eu sou você.
Sim, bastou que ela dissesse as palavras para que tal fato também se tornasse oficial para mim.
- Está bem – eu assenti. – Nesse caso, diga, qual é minha dúvida?
- Lamento, mas só você pode responder essa pergunta. Resta saber se você confia o bastante em si para seguir em frente. Só o que posso dizer é que alguém como você não pode ter uma dúvida como essa.
- Alguém como eu?
- Sim, alguém como você. Vamos, diga qual a função que cabe a você e que acabou por se tornar fonte de tanto tormento.
- Está bem.
Eu só queria acordar.
- Eu sou um aplicador de injeção letal.
- Aplicador de injeção letal... – a morte repetiu como se estivesse surpresa com a revelação. – Muito interessante. E qual a dúvida que um aplicador de injeção letal não pode ter?
- É errado matar qualquer ser humano, ainda que esse seja um criminoso da pior espécie? eu interroguei, agora realmente sentindo que não estava no lugar em que deveria.
- Muito bem – a morte aprovou meu progresso. – E qual a sua opinião?
- Bem, até recentemente eu achava que fazia um bem ao mundo livrando-o de almas tãomaléficas e podres.
- Então acredita que os seres humanos têm alma? Questionou a morte.
- Bem, digamos que sim. Acredito no âmago da existência de cada pessoa, entende? Ou melhor, no que diferencia a presença de um ser humano da presença do outro no todo universal. Para mim esse é o melhor conceito de alma em que podemos chegar por em quanto, considerando-se o que a ciência já descobriu à esse respeito.
- Você dá a entender que o espiritual depende do científico.
- Sem dúvida. Penso que ciência e religião devem andar juntos. O fato é que quando lembro que a verdade existe independente da minha crença pessoal, só consigo imaginar tal verdade sendo imutável tanto do ângulo espiritual quanto do científico, de modo que um seja a prova viva do outro, dois caminhos que acabam por se encontrar no mesmo lugar.
- Excelente – disse a morte, parecendo satisfeita – Só que infelizmente você ainda não sabe qual é a verdade absoluta, não é mesmo?
- Penso que não.
- Eu também penso que não – a morte aderiu - ...do contrário não estaria aqui. E sabe do que mais? Você só irá encontrá-la no dia em que não precisar acreditar em mais nada.
- Entendo o que quer dizer. Refere-se ao dia em que a verdade absoluta for revelada pela ciência.
- Não, refiro-me ao dia em que deixar de acreditar em tudo, inclusive na ciência.
Meu queixo caiu.
- Mas que loucura está dizendo?
- Infelizmente para você – a morte continuou, indiferente. - uma descoberta só é interpretada de um ponto de vista até que alguém prove o contrário. “Ciência” é só um nome que vocês, seres humanos, resolveram dar a um método de investigar coisas. E se for provado que esse método não está apto a lhes revelar uma informação tão complexa? Ou ainda uma informação tão simples? Vocês se veriam obrigados a ver as coisas de outra forma, e o que vocês intendem por ciência iria por água abaixo.
Cilêncio.
- Bom, é verdade que nunca tinha visto a coisa por esse ângulo – admiti. Mas, então, sugere que eu não acredite em nada?
- Eu não disse isso. Disse que deve deixar de acreditar em tudo, e não que não deve acreditar em nada. Sugiro que acredite no que está ao seu alcance.
A última frase ecoou na minha cabeça.
- Está dizendo que não devemos ser os donos da verdade.
- Estou dizendo que por mais forte que seja sua crença, no que quer que seja, não deve abandonar a possibilidade de você estar errado, por mais difícil que seja. Não estou dizendo que o dia em que você enfim poderá abandoná-la jamais chegará, mas você saberá quando isso acontecer quando não conseguir mais mantê-la em sua consciência e não se deparar com nenhuma conseqüência negativa em resposta a tal acontecimento. Não ser o dono da verdade? Poucos fazem idéia do que isso significa.
- E você diria que eu sou um desses poucos?
- Sim, diria. Você me procurou, e não o contrário. Você vive vida e sentimentos com uma intensidade indescritível, e por isso conhece o bastante da própria existência para nunca deixar de conhecer a si e ao mundo que o cerca. Você vê em suas limitações a essência da perfeição, que é o ato de jamais abandonar a busca por ela, o que é claro nada há a haver com você encontrá-la ou não algum dia.
- Esse é o problema – eu disse, sabendo que no momento falar seria melhor do que pensar. – Tenho comigo uma evidência de que matar um ser humano não é a coisa certa a fazer, e não consigo decidir se devo considerá-la ou não.
- A escolha é só sua – a morte destacou a impressão óbvia. – A questão é que, cientificamente falando, você não tem como ter certeza do que acontece com o que vocês, seres humanos, chamam de almas das pessoas que você mata.
- Bem, eu não as chamaria de pessoas, se quer saber. Monstros viria melhor a calhar. Mas, sim, embora eu tenha a minha própria convicção quanto a isso, é verdade que não há provas que a tornem cientificamente genuína.
- Muito bem. Então, me diga: o que você acha que acontece com as almas daqueles que provam da sua agulha fatal?
- Sempre pensei que deixassem de existir sob todos os ângulos. Nunca acreditei em vida após a morte, em reencarnação ou em algo além do que acontece com o nosso corpo. Mas há alguns dias conheci gente que começou a me falar sobre cada alma ter seu próprio caminho a seguir após a morte, que corresponde aos seus feitos como ser humano; que as almas não reencarnadas convivem em colônias, cada uma procurando a que corresponde ao seu perfil: uma alma maléfica se reuni com almas igualmente ruins, enquanto que uma boa alma deverá unir-se à bondade de suas irmãs; e que toda vez que reencarnamos recebemos ou perdemos algo que tínhamos na vida anterior: se somos pobres numa vida, seremos ricos na outra - ou vice-versa, se cortamos a mão de alguém numa vida, nasceremos sem uma mão na próxima, até que nossa alma atinja a plenitude espiritual. Já houve o tempo em que eu dizia que não tinha dúvidas quanto minhas convicções, que o errado era a confirmação do certo e que mistérios eram sinônimo de esperança. E hoje, quando tantos dizem que o fim está próximo, me vejo sem saber no que pensar.
Foi só então que tomei consciência do quão leve eu me sentia, ali parado em meio a escuridão, expondo meus meios e receios com uma empolgação que não sentia há muito tempo, e que só surge nas raras oportunidades que temos de dividi-los com outra pessoa, ou também...
- E você ouviu falar dos médiuns, não é mesmo? A morte adivinhou. - Com certeza soube daqueles que demonstram ser capazes de contatar almas não reencarnadas. Está preocupado com os médiuns que dizem sentir a presença de almas maléficas, entre as quais as que habitavam corpos vitmas de injeção letal; e com os efeitos dessas almas nos corpos dos médiuns que supostamente ainda não têm controle do dom que dizem possuir, ou que mesmo experientes sofrem ao reencontrar uma alma que nenhum bem fez ao seu passado.
- Mesmo que eu não acredite nessas coisas, há quem acredite, inclusive crianças. Para essas pessoas, esses monstros quando mortos ficam em maior liberdade do que teriam se estivessem presos em boas penitenciárias. Sei que o sistema penitenciário ainda tem muito o que melhorar, mas essa é outra história. Bem que eu queria, mas por mais que tente não consigo mais achar que estou fazendo algo bom ao matar monstros, quando pessoas boas sofrem com isso até tanto quanto sofreriam se eles continuassem agindo. Só me falta sentir o que tantos sentem: que eu não sou melhor que os monstros se lidar com eles da mesma forma como eles lidam com suas vitmas; que assim como não cabe a eles decidir quando a vida de outro ser humano deve acabar, também não cabe a nós decidir quando acabar com a vida dos monstros; que muitos monstros tem uma família formada por pessoas boas que não querem ver seus monstros morrer; e que, acima de tudo, dizer que além de matar os monstros também fazem as pessoas sofrer, quando nós apenas livramos o mundo de sua existência, é puro egoísmo de nossa parte, já que nós também não sofremos ao tirar a vida dos monstros. Mas não posso, ainda não.
- Todavia sua decisão agora está tomada.
A morte jamais desvia seu curso.
- Sim, deixarei de ser um de seus mensageiros oficialmente assim que acordar. Se é a decisão certa, não sei. Mas se for, o ser humano não há de querer dar a você tanto trabalho quanto você dá a nós.
A morte nada disse, mas posso jurar que ela concordou.
PARTE 3
Concluindo
- Minha consciência. Eu devia saber que cedo ou tarde você apareceria para me salvar.
- Nada disso. Essa só é a prova de que você salvou a si mesmo. Você reconhece sua consciência, e todo aquele que for igual a você, ainda que caia no buraco mais fundo, encontrará forças para se reerguer.
- Por que diz isso? eu quis saber sem entender ao certo o motivo.
- Porque eu não sou você – disse a morte.
E então eu acordei.
Lucas Borba
PARTE 1
Situando
Um dia, uma dúvida puramente humana nasceu. E por mais que refletisse, não conseguia me livrar dela. Até que tive um sonho.
A escuridão era total, e eu sentia o chão duro sob meus pés, de pedra ou concreto, talvez. Apesar da escuridão, entretanto, conseguia ver a criatura parada à minha frente. Como eu a via? Não faço idéia, simplesmente via.
Ela fixava em mim seus olhos negros. Há quem diga, eu sei, que ela tem dois riscos pretos no lugar dos olhos. Mas eu a vi, ainda que em sonho, e afirmo que ela tinha olhos, sim, embora negros. E eles nunca piscaram.
- Quem é você? eu perguntei estranhamente calmo.
- Você sabe quem eu sou.
A calma se foi.
- Se soubesse não estaria perguntando.
- Não é verdade. Você sabe e ainda assim está perguntando.
Eu tive que fechar os olhos e respirar fundo antes de falar. Quando abri os olhos, nada havia mudado.
- Tudo bem, você por um acaso tem o poder de ler mentes? Por que eu deveria saber quem você é?
- Porque é óbvio, até para pessoas bem menos inteligentes. Você sabe que está sonhando, portanto deixe de apelar para a racionalidade.
E era verdade. Por mais ridículo ou irracional que fosse, eu não podia ignorar o que via na condição em que via.
- Então... você é...
- Vamos, diga. – pressionou a criatura.
- Você é a morte. - eu disse resoluto e novamente calmo.
- Acertou.
Incontáveis perguntas passaram num relâmpago por minha mente, mas optei pela que julguei ser mais relevante no momento.
- Veio me buscar?
- Buscá-lo?
Ela pareceu achar graça.
- Como poderia? Estamos num sonho, e só posso levá-lo na vida real. Se fosse esse meu objetivo, acha que me daria ao trabalho de aparecer num sonho? Não, eu vim para ajudá-lo.
Eu não esperava por aquilo... ou será que esperava?
- Me ajudar? Por quê?
- Você sabe por quê.
- Não, não sei.
- É claro que sabe. E a maior prova disso é que, ao invés de perguntar com o que pretendo ajudá-lo, optou por um motivo. Você jamais perguntaria por que alguém que você nunca viu na vida iria ajudá-lo sem saber primeiramente a que tipo de ajuda o mesmo estaria se referindo, a não ser...
- A não ser o quê? Perguntei, pasmo.
- A não ser que já saiba ao que eu estou me referindo e esteja fugindo quase inconscientemente de algo que tenha muito medo de enfrentar, a ponto de ser tolo o bastante para agir como se a dúvida que agora está entranhada no âmago do seu ser não existisse.
- Okay – eu disse com toda calma, talvez por nunca ter sentido tanta raiva na vida. – Agora volte um pouco a fita. Por um acaso eu não poderia ser uma pessoa diferente, que foge dos padrões, e que devido aos princípios de uma filosofia bem formada goste de perguntar a quem lhe ofereça ajuda a razão por o estar fazendo antes de se voltar para a natureza da ajuda em si? Ah, e as pessoas nem sempre se dão ao trabalho de medir as palavras tão minuciosamente, sabe? Muitas vezes, ao perguntarem “por quê”, elas já esperam receber como resposta um motivo e uma circunstância, já que as duas coisas andam juntas.
- Não é o seu caso.
E era verdade, outra vez.
PARTE 2
Debatendo
Foi então que eu percebi, estando cara-a-cara com a morte, que o que eu sentia não era raiva, mas pura incredulidade.
A Morte disse:
- Se deixar que eu o ajude, prometo que quando acordar terá encontrado a resposta que procura.
Engraçado como as coisas começavam não ser exatamente o que pareciam.
- Mas... – algo curioso me ocorreu. - ... se você é a morte, por que perderia tempo ajudando alguém? Você por um acaso tem outra função que não nos levar deste mundo?
- Creio que ambos sabemos que eu sou você.
Sim, bastou que ela dissesse as palavras para que tal fato também se tornasse oficial para mim.
- Está bem – eu assenti. – Nesse caso, diga, qual é minha dúvida?
- Lamento, mas só você pode responder essa pergunta. Resta saber se você confia o bastante em si para seguir em frente. Só o que posso dizer é que alguém como você não pode ter uma dúvida como essa.
- Alguém como eu?
- Sim, alguém como você. Vamos, diga qual a função que cabe a você e que acabou por se tornar fonte de tanto tormento.
- Está bem.
Eu só queria acordar.
- Eu sou um aplicador de injeção letal.
- Aplicador de injeção letal... – a morte repetiu como se estivesse surpresa com a revelação. – Muito interessante. E qual a dúvida que um aplicador de injeção letal não pode ter?
- É errado matar qualquer ser humano, ainda que esse seja um criminoso da pior espécie? eu interroguei, agora realmente sentindo que não estava no lugar em que deveria.
- Muito bem – a morte aprovou meu progresso. – E qual a sua opinião?
- Bem, até recentemente eu achava que fazia um bem ao mundo livrando-o de almas tãomaléficas e podres.
- Então acredita que os seres humanos têm alma? Questionou a morte.
- Bem, digamos que sim. Acredito no âmago da existência de cada pessoa, entende? Ou melhor, no que diferencia a presença de um ser humano da presença do outro no todo universal. Para mim esse é o melhor conceito de alma em que podemos chegar por em quanto, considerando-se o que a ciência já descobriu à esse respeito.
- Você dá a entender que o espiritual depende do científico.
- Sem dúvida. Penso que ciência e religião devem andar juntos. O fato é que quando lembro que a verdade existe independente da minha crença pessoal, só consigo imaginar tal verdade sendo imutável tanto do ângulo espiritual quanto do científico, de modo que um seja a prova viva do outro, dois caminhos que acabam por se encontrar no mesmo lugar.
- Excelente – disse a morte, parecendo satisfeita – Só que infelizmente você ainda não sabe qual é a verdade absoluta, não é mesmo?
- Penso que não.
- Eu também penso que não – a morte aderiu - ...do contrário não estaria aqui. E sabe do que mais? Você só irá encontrá-la no dia em que não precisar acreditar em mais nada.
- Entendo o que quer dizer. Refere-se ao dia em que a verdade absoluta for revelada pela ciência.
- Não, refiro-me ao dia em que deixar de acreditar em tudo, inclusive na ciência.
Meu queixo caiu.
- Mas que loucura está dizendo?
- Infelizmente para você – a morte continuou, indiferente. - uma descoberta só é interpretada de um ponto de vista até que alguém prove o contrário. “Ciência” é só um nome que vocês, seres humanos, resolveram dar a um método de investigar coisas. E se for provado que esse método não está apto a lhes revelar uma informação tão complexa? Ou ainda uma informação tão simples? Vocês se veriam obrigados a ver as coisas de outra forma, e o que vocês intendem por ciência iria por água abaixo.
Cilêncio.
- Bom, é verdade que nunca tinha visto a coisa por esse ângulo – admiti. Mas, então, sugere que eu não acredite em nada?
- Eu não disse isso. Disse que deve deixar de acreditar em tudo, e não que não deve acreditar em nada. Sugiro que acredite no que está ao seu alcance.
A última frase ecoou na minha cabeça.
- Está dizendo que não devemos ser os donos da verdade.
- Estou dizendo que por mais forte que seja sua crença, no que quer que seja, não deve abandonar a possibilidade de você estar errado, por mais difícil que seja. Não estou dizendo que o dia em que você enfim poderá abandoná-la jamais chegará, mas você saberá quando isso acontecer quando não conseguir mais mantê-la em sua consciência e não se deparar com nenhuma conseqüência negativa em resposta a tal acontecimento. Não ser o dono da verdade? Poucos fazem idéia do que isso significa.
- E você diria que eu sou um desses poucos?
- Sim, diria. Você me procurou, e não o contrário. Você vive vida e sentimentos com uma intensidade indescritível, e por isso conhece o bastante da própria existência para nunca deixar de conhecer a si e ao mundo que o cerca. Você vê em suas limitações a essência da perfeição, que é o ato de jamais abandonar a busca por ela, o que é claro nada há a haver com você encontrá-la ou não algum dia.
- Esse é o problema – eu disse, sabendo que no momento falar seria melhor do que pensar. – Tenho comigo uma evidência de que matar um ser humano não é a coisa certa a fazer, e não consigo decidir se devo considerá-la ou não.
- A escolha é só sua – a morte destacou a impressão óbvia. – A questão é que, cientificamente falando, você não tem como ter certeza do que acontece com o que vocês, seres humanos, chamam de almas das pessoas que você mata.
- Bem, eu não as chamaria de pessoas, se quer saber. Monstros viria melhor a calhar. Mas, sim, embora eu tenha a minha própria convicção quanto a isso, é verdade que não há provas que a tornem cientificamente genuína.
- Muito bem. Então, me diga: o que você acha que acontece com as almas daqueles que provam da sua agulha fatal?
- Sempre pensei que deixassem de existir sob todos os ângulos. Nunca acreditei em vida após a morte, em reencarnação ou em algo além do que acontece com o nosso corpo. Mas há alguns dias conheci gente que começou a me falar sobre cada alma ter seu próprio caminho a seguir após a morte, que corresponde aos seus feitos como ser humano; que as almas não reencarnadas convivem em colônias, cada uma procurando a que corresponde ao seu perfil: uma alma maléfica se reuni com almas igualmente ruins, enquanto que uma boa alma deverá unir-se à bondade de suas irmãs; e que toda vez que reencarnamos recebemos ou perdemos algo que tínhamos na vida anterior: se somos pobres numa vida, seremos ricos na outra - ou vice-versa, se cortamos a mão de alguém numa vida, nasceremos sem uma mão na próxima, até que nossa alma atinja a plenitude espiritual. Já houve o tempo em que eu dizia que não tinha dúvidas quanto minhas convicções, que o errado era a confirmação do certo e que mistérios eram sinônimo de esperança. E hoje, quando tantos dizem que o fim está próximo, me vejo sem saber no que pensar.
Foi só então que tomei consciência do quão leve eu me sentia, ali parado em meio a escuridão, expondo meus meios e receios com uma empolgação que não sentia há muito tempo, e que só surge nas raras oportunidades que temos de dividi-los com outra pessoa, ou também...
- E você ouviu falar dos médiuns, não é mesmo? A morte adivinhou. - Com certeza soube daqueles que demonstram ser capazes de contatar almas não reencarnadas. Está preocupado com os médiuns que dizem sentir a presença de almas maléficas, entre as quais as que habitavam corpos vitmas de injeção letal; e com os efeitos dessas almas nos corpos dos médiuns que supostamente ainda não têm controle do dom que dizem possuir, ou que mesmo experientes sofrem ao reencontrar uma alma que nenhum bem fez ao seu passado.
- Mesmo que eu não acredite nessas coisas, há quem acredite, inclusive crianças. Para essas pessoas, esses monstros quando mortos ficam em maior liberdade do que teriam se estivessem presos em boas penitenciárias. Sei que o sistema penitenciário ainda tem muito o que melhorar, mas essa é outra história. Bem que eu queria, mas por mais que tente não consigo mais achar que estou fazendo algo bom ao matar monstros, quando pessoas boas sofrem com isso até tanto quanto sofreriam se eles continuassem agindo. Só me falta sentir o que tantos sentem: que eu não sou melhor que os monstros se lidar com eles da mesma forma como eles lidam com suas vitmas; que assim como não cabe a eles decidir quando a vida de outro ser humano deve acabar, também não cabe a nós decidir quando acabar com a vida dos monstros; que muitos monstros tem uma família formada por pessoas boas que não querem ver seus monstros morrer; e que, acima de tudo, dizer que além de matar os monstros também fazem as pessoas sofrer, quando nós apenas livramos o mundo de sua existência, é puro egoísmo de nossa parte, já que nós também não sofremos ao tirar a vida dos monstros. Mas não posso, ainda não.
- Todavia sua decisão agora está tomada.
A morte jamais desvia seu curso.
- Sim, deixarei de ser um de seus mensageiros oficialmente assim que acordar. Se é a decisão certa, não sei. Mas se for, o ser humano não há de querer dar a você tanto trabalho quanto você dá a nós.
A morte nada disse, mas posso jurar que ela concordou.
PARTE 3
Concluindo
- Minha consciência. Eu devia saber que cedo ou tarde você apareceria para me salvar.
- Nada disso. Essa só é a prova de que você salvou a si mesmo. Você reconhece sua consciência, e todo aquele que for igual a você, ainda que caia no buraco mais fundo, encontrará forças para se reerguer.
- Por que diz isso? eu quis saber sem entender ao certo o motivo.
- Porque eu não sou você – disse a morte.
E então eu acordei.
Lucas Borba
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