Bem-vindo ao blog dedicado ao meu principal objetivo em minha passagem por este mundo, através da divulgação de qualquer material útil ou realmente necessário à humanidade em tempos tão decisivos: textos, músicas, imagens ou filmes de qualquer estilo (sejam obras de outros ou de minha própria autoria). Boa sorte, e divirta-se!, pois a alegria é o primeiro passo rumo à felicidade.

terça-feira, 22 de março de 2011

MUNDO VIRTUAL: OS DOIS LADOS DO GLOBO

Por Lucas Borba


Um dos temas mais polêmicos da atualidade diz respeito ao chamado Mundo Virtual. Como poderosa ferramenta que é, tornando a comunicação global mais instantânea a cada dia, e exigindo cada vez menos ganho financeiro de seus usuários para isso, só destaca ainda mais os questionamentos quanto aos perigos e benefícios de seu uso.
Sempre que essa questão entra em palta, o pensamento costuma recair imediatamente sobre os adolescentes, que por serem taxados de os mais entendidos do Mundo Virtual, tornam-se, por outro lado, os mais ingênuos com relação ao assunto. De fato, uma das chamadas Redes Sociais da internet mais acessada atualmente, o Facebook, foi criada por um adolescente, mas o problema é que, na maioria das vezes, crimes virtuais também são praticados por jovens que, destaca-se, têm o infeliz hábito de ser mais inteligentes que a maioria dos adolescentes. A necessidade que os jovens têm de se relacionar uns com os outros e com o mundo, bem como de novas experiências, faz com que se sintam tão atraídos pelo ato de construir relações com um clique a ponto de esquecer a própria segurança. Por outro lado, as vantagens do Mundo Virtual são evidentes. Senão graças a ele, como saberíamos em tempo real o que se passa do outro lado do globo? Além disso, é indiscutível a sua importância no emprego da comunicação mundial, destacando-se aqui, por exemplo, a possibilidade do contato simultâneo entre matrizes de empresas multinacionais. Graças à internet, hoje o acúmulo e a transmissão de informação são ininterruptos, ostentando o Google como símbolo da informação imediata.
Como todo o meio de comunicação, seu emprego pode suceder-se com objetivos bons ou maus, seja por meio de um grampo no seu telefone ou de uma mensagem subliminar em uma propaganda. Por isso, importante mesmo é aprender a reconhecer e a fazer uso da boa comunicação. No caso da internet, principalmente os jovens devem ser incentivados a utilizar seus recursos com prudência - não marcando encontros com desconhecidos ou expondo informações delicadas como endereço e local de estudo ou de trabalho, e em benefício de seu aprendizado. Mais uma vez, a palavra educação ganha destaque, lembrando-nos de que um meio de comunicação só se define por quem através dele se comunica.

sexta-feira, 18 de março de 2011

COMUNICAÇÃO


Por Lucas Borba

A comunicação é a ferramenta utilizada pelos seres vivos que possibilita as relações entre membros de uma ou mais espécies, e principalmente por nós, seres humanos, para compartilharmos os nossos conhecimentos através da teoria. Ironicamente, a racionalidade nos deu uma chance nunca antes concedida à qualquer outro ser, a de criar a nossa própria forma de comunicação, e que nos torna tão incompreensíveis uns aos outros por causa desta.
No princípio, o homem primitivo escolheu a palavra como a principal forma de comunicar-se, quando começou a imitar os sons associados à elementos da natureza, assim atribuindo-lhes os respectivos significados, bem como as suas funções específicas. Assim, o homem não tardou a descobrir que a comunicação não ampliava somente o seu conhecimento acerca do mundo ao seu redor, mas principalmente o de sua própria espécie. Consequentemente, deu-se conta de que palavra é poder, ainda que conquistada através da violência, pois aquele que domina a palavra domina o homem; e assim privou a própria espécie do autoconhecimento. Desde então, o homem evoluiu muito em tecnologia, mas em muitos aspectos a humanidade continua primitiva quanto a sua própria natureza. As inúmeras deficiências na área da educação, presentes em tantos países desfavorecidos pelo sistema capitalista, causam um abandono em massa da busca pelo conhecimento e, principalmente, por uma motivação clara que justifique à milhares de pessoas a razão de suas vidas.
Todo o cérebro pode ser estimulado a se desenvolver, mas para isso é fundamental usá-lo constantemente durante toda a vida em atividades que nos obriguem a mentalizar, a memorizar e a relacionar ideias, e com certeza a leitura e a comunicação são os requisitos mais importantes. Com a leitura, temos acesso à conhecimentos infindáveis, e estimulamos nossa mente a interpretar e a relacionar as mais variadas situações, sendo que podemos realmente nos deparar com muitas delas em nossa própria vida. Já a comunicação permite que você compartilhe o seu conhecimento com os outros e torna a sua vida social constantemente mais digna, desde a sua convivência com pessoas tão interessantes quanto você, até uma vida profissional e mesmo familiar igualmente saudáveis. Não esqueça que as pessoas não têm como saber quem você realmente é se não se comunicar com elas, ou pelo menos não saberão o que se passa pela sua cabeça, e com certeza se você não tiver o hábito de estar sempre se atualizando intelectualmente isso será muito difícil, principalmente na procura por um bom emprego, em que a comunicação é cada vez mais exigida no mercado de trabalho (sem falar no domínio de outros idiomas).
É verdade que o que somos está além da palavra, mas o ser humano precisa dar um passo de cada vez. Lutemos pela prosperidade da palavra com a ascensão do diálogo como a forma ideal para resolvermos conflitos coletivos e particulares, para então alcançarmos juntos a verdade que nem as palavras podem nos contar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Roteiro do filme Canção de Luz




Em memória de C. S. Lewis, grande fonte de inspiração para esta história.



Personagens: Carla (Carol), Edgar (Edson), Luís (Lucas) e Sandro (Samuel) (sujeito à alteração)
Músicas: Música Tema – Canção de Luz, de Lucas Borba-; Nona Sinfonia de Beethoven; e Vira Virou, de Kleiton Ramil


Abertura: Música Tema


Cena 1

Luís entra na sala de música de sua casa e fecha a porta. Como usa uma bengala para se locomover, pode-se ver que ele é cego.
Luís: Ufa! Finalmente, que vontade de tocar alguma coisa!
Ele se senta em frente ao teclado.
Luís: Muito bem. Agora, o que vou tocar... Não, não, isso não...
Luís (de súbito): Já sei! Posso criar minha própria música! Vou compor...
Luís toca algumas notas. No começo, as notas são aleatórias, mas logo se ouve uma melodia.

Música Tema com teclado

De repente, Luís para de tocar, assustado. Ele esfrega os olhos.
Luís: Nossa, mas que coisa estranha!
Ele continua tocando, intrigado. Então, sua expressão fica perplexa e, sem parar de tocar, Luís olha para todos os lados e ri histericamente de tanta alegria. Ele sai correndo da sala.


Cena 2

Luís entra correndo em outro aposento de sua casa, onde seus três melhores amigos – Carla, Edgar e Sandro - estão reunidos. Carla e Sandro estão conversando animadamente, e Edgar está tocando violão.
Luís (sem fôlego): Amigos! Amigos! Venham comigo, rápido! Vocês têm que ver uma coisa, agora!
Carla, Edgar e Sandro (ao mesmo tempo): Hey, Luís!
Edgar pára de tocar.
Carla: O que houve, Luís? Parece que viu um fantasma!
Luís: Venham comigo pra sala de música, rápido! Vocês precisam ver...
Sandro: Ver o quê?
Luís: Venham!
Luís avança para o corredor, e os três se lançam atrás dele, com Edgar levando o violão. Como Luís, Edgar e Sandro também usam uma bengala para se locomover.


Sena 3

Os quatro entram na sala de música e Luís fecha a porta.
Luís: Vocês não vão acreditar. Eu estava aqui e decidi tentar compor uma música, e então...
Edgar: O que aconteceu, cara? Você está assustando a gente.
Luís se senta novamente em frente ao teclado.
Luís: Sentem aqui perto e escutem. Se aconteceu comigo pode acontecer com vocês também.
Sandro: Mas do que é que você está falando, cara!
Os três continuam de pé ao redor de Luís quando ele põe-se a tocar sua música.

Trecho da Música Tema com teclado

Carla: É muito bonita!
Luís (entusiasmado): Estão vendo?
Sandro: Vendo o quê?
Luís (inconformado): Não estão vendo?
Edgar: Cara, você está se sentindo bem?
Luís: Mas não é possível!
Silêncio.
Luís (de súbito): Esperem, já sei qual é o problema! Quem está tocando sou eu! Acho que vocês também precisam tocar pra ver, senão não funciona!
Sandro: Cara, acho que você está tendo alucinações. Vou pegar um copo d’água pra você e depois te levar pra um médico.
Luís: Não, pessoal, por favor! Eu não estou louco! Me escutem. Edgar, você está com o violão aí?
Edgar: Sim, estou.
Luís: Consegue tocar a mesma música que eu toquei agora? Vou tocar de novo e você me acompanha, é bem simples. Por favor, faça isso e vou provar que não estou louco.
Edgar: Então está bem, cara. É só começar que eu te acompanho.
Luís: Certo. Então lá vou eu.
Mesmo preocupado como os outros, ao ouvir a música Edgar se senta numa cadeira e acompanha Luís com o violão.

Trecho da Música Tema com teclado e violão

De repente, Edgar para de tocar e dá um pulo na cadeira.
Edgar (gritando): Mas o que é isso?
Carla e Sandro (ao mesmo tempo): O que foi?
Luís (comemorando): Viu? Eu não disse?
Edgar continua tocando a música, olhando para todos os lados e rindo como Luís.
Edgar (maravilhado): Eu posso ver! Meu Deus, é um milagre! Estou enxergando!
Luís: Edgar, agora páre de tocar e veja o que acontece.
Edgar obedece:
Edgar: Sim, estou cego de novo. Mas como é possível?
Luís: Sandro, agora é sua vez. Venha pro teclado e tente tocar.
Sandro: Ah, qual é, cara! Essa é uma brincadeira sua e do Edgar pra tirar sarro da Carla e de mim. Só pode ser.
Luís: Só venha até aqui e tente uma vez, ta bom?
Rindo, Sandro vai até o teclado. Como a música é simples, ele toca as primeiras notas na mesma hora.

Trecho da Música Tema com teclado

Depois de tocar algumas notas, Sandro olha ao redor, transtornado.
Sandro: Então é verdade!
Carla: O que é verdade, Sandro:?
Sandro: Carla, eu também estou enxergando agora! É inacreditável!
Sandro para de tocar.
Luís: Ainda está vendo?
Sandro: Não, também fiquei cego de novo.
Carla: Olhem, isso não tem a menor graça. Eu sou a única aqui que não é cega, então essa brincadeira...
Nesse momento, Luís interrompe a garota abruptamente.
Luís: Carla! Como fui me esquecer de você? Agora é sua vez.
Carla: Do que você está falando? Acabei de dizer! Você sabe que eu enxergo.
Luís: Por isso mesmo. Vamos ver o que acontece.
Com raiva, Carla vai até o teclado e também toca o começo da música.

Trecho da Música Tema com teclado

De repente, Carla para de tocar e leva as mãos aos olhos, gritando horrorizada.
Carla: Não vejo nada! Socorro! Socorro! Estou cega!
Luís: Eu sabia! Calma, se está com as mãos nos olhos é só tirar, já deve ter voltado ao normal.
Carla obedece e destapa os olhos.
Carla: Sim, agora estou vendo de novo...
Sandro: Gente, isso é fantástico! Luís, libera o teclado que agora é minha vez.
Luís: Nem pensar, agora sou eu quem toca. Pega o violão do Edgar.
Edgar: Hey, isso não é justo! O Luís tem todo teclado só pra ele. Dividam o espaço, vocês dois.
Luís: Ta bom, mas eu fico com as notas agudas.
Sandro: Não, eu quero as agudas!
Luís: Mas o teclado é meu, então eu decido.
Sandro: Você está sendo egoísta.
Edgar: Luís, deixe o Sandro ficar com as agudas.
Luís: Já disse que não.
Edgar, Luís e Sandro discutem ao mesmo tempo.
Carla (gritando): Parem com isso! Vocês três estão loucos? Tem alguma coisa errada, isso é perigoso!
Assustada, Carla sai correndo da sala.
Luís: Mulheres...


Sena 4

Sozinha no seu quarto (sujeito à alteração), Carla pensa sobre os acontecimentos na casa de Luís.
Carla: Preciso tocar uma música pra me animar... Uma música que não seja a do Luís. Melhor ficar cega que triste desse jeito.
Dizendo isso, Carla vai até seu teclado e toca uma música diferente.

Nona Sinfonia de Beethoven com teclado

Ao ouvir a melodia que seus dedos produzem no teclado, Carla põe-se a rir, mas é uma risada muito mais poderosa e gostosa de se ouvir que a de Luís. Não um mero riso de histérico encantamento, mas de suprema realização e felicidade.
Carla (em estado de êxtase): Meu Deus! Como pude me esquecer disso!
Ela toca a música de Luís.

Trecho da música tema com teclado

Carla: Eu sabia! Estou livre!


Sena 5

Carla entra esbaforida na sala de música, assustando os garotos que continuam tocando a música de Luís.
Carla: Parem de tocar essa música, agora!
Surpresos, os três param de tocar.
Luís: O que foi, Carla? Resolveu voltar?
Carla: Luís, olhe para mim e diga qual a cor dos meus olhos.
Luís: O quê? A cor dos seus olhos?
Carla: Isso mesmo. Toque a sua música, olhe para mim e diga qual é a cor dos meus olhos, agora.
Mesmo achando o pedido da garota muito estranho, Luís obedece, e após as primeiras notas de sua música ele olha para o rosto de Carla.
Carla: E então? Está vendo?
Luís: Sim, estou! Carla, seus olhos são verdes!
Carla suspira.
Carla: Não, você errou. Meus olhos são castanhos.
Luís: O quê?
Carla: Prestem atenção, vocês três. Luís, quando compôs a música, no que estava pensando?
Luís: Eu não sei...
Carla: Não lembra no que estava pensando?
Luís: Ah, agora entendi! Achei que estava me dando uma bronca. No que eu estava pensando? Bem, deixe eu ver... Eu queria criar uma melodia que representasse a liberdade.
Carla: Entendo. Então está dizendo que ao compor a música você pensou que queria se sentir livre?
Luís: Sim, foi nisso que pensei.
Carla: Muito bem, então me digam. Para um cego, qual é a primeira coisa, ou pelo menos uma das primeiras coisas, de que ele sente falta ao pensar na palavra liberdade?
Sandro: Meu Deus, ele sente falta da visão!
Carla: Exatamente. Luís, preste atenção. Quando você compôs a música manifestou nela todo o seu desejo de enxergar, e fez isso com tanta força que, sempre que a toca, ela reflete o desejo de volta pra sua mente, o que te dá a sensação de estar enxergando. Mas é só uma ilusão, um reflexo do seu desejo, e a prova disso é que você não viu a verdadeira cor dos meus olhos, mas a cor que imaginava que eles tinham, assim como tudo que você vê graças a sua música é obra da sua imaginação. O mesmo aconteceu com Edgar e Luís, que ao ouvir a música tiveram o mesmo desejo de liberdade, e que assim que a tocaram também se perderam na mesma fantasia.
Edgar: Nossa, mas que coisa incrível!
Carla: Já comigo foi um pouco diferente. Sempre tive tanta curiosidade de saber como um cego enxerga o mundo quanto vocês de descobrir o valor do mundo visível, a ponto de pensar que só seria realmente livre ao viver a experiência, ainda que temporária, da perda de visão.
Sandro: Era só vendar os olhos!
Carla: É verdade, mas escolhi o caminho mais difícil. Por isso, quando ouvi a música do Luís, ela teve o efeito contrário; e o que pra vocês soou como um milagre, pra mim soou como uma maldição. Assustada, fui correndo pra casa e me tranquei no quarto, até que resolvi encarar o medo e tocar outra música. E quando toquei a Nona Sinfonia de Beethoven foi que lembrei do que tinha esquecido: que hoje existe um número quase incalculável de músicas no mundo, com melodias, ritmos e estilos diferentes; e que eu podia tocar a música do Luís sem me sentir cega de novo, porque também existem diferentes formas de se enxergar. Afinal, liberdade é para todos. Nunca se esqueçam: viver de ilusões jamais trará a alguém a verdadeira felicidade de quem é livre.
Luís: Carla, você descobriu tudo e, de certa forma, salvou nossas vidas. Se não fosse por você estaríamos presos no mundo das ilusões.
Carla: Eu poderia cobrar em dinheiro, mas como também aprendi uma lição com tudo isso, vamos deixar como está.
Todos caem na gargalhada.
Sandro: Edgar e Luís, vocês não estão se esquecendo de nada? A Carla já se livrou da sua ilusão com outra música que não a do Luís, mas nós ainda não escolhemos a nossa!
Edggar: Tive uma ideia! Por que não cantamos uma música juntos? O que acham de Vira Virou? Eu toco com o violão e vocês me acompanham (sujeito à alteração).
Carla: Ótima ideia! Eu acompanho.

Edgar toca Vira Virou com o violão e todos cantam juntos

Terminada a música, todos se dão as mãos e formam um círculo.
Todos: VIVA A LIBERDADE DE QUEM ENXERGA COM A LUZ DO CORAÇÃO!
Os quatro se abraçam e comemoram.


Créditos





FIM






Lucas Borba

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O CAÇADOR E SEU FALCÃO


Conta-se que uma vez, um caçador andava pelo deserto a procura de aventuras com seu falcão num dos ombros. Entretanto, já há mais de um dia não bebiam água e, se não tratassem de achar um rio, um lago ou uma nascente o quanto antes, não iriam longe.
E foi então que avistaram um rio: seco. O caçador praguejou. Não havia sequer um resquício de água. Já achavam-se de todo perdidos quando, ao se aproximarem do rio, tiveram uma agradável surpresa. Estavam salvos. No centro do rio, gotas caíam do céu, no mesmo lugar e em rasuável intervalo. O caçador e seu falcão desceram até o rio em ruínas. Chegaram onde caíam as gotas e o caçador começou a encher seu cantil. Tão ocupado estava em observar o cantil enchendo que nem notou quando o falcão deixou seu ombro.
Finalmente, o cantil estava cheio. Mal acreditando no seu triunfo, o caçador já se preparava para beber quando o falcão surgiu do nada, atacando-o e fazendo com que derrubasse o cantil, derramando toda a obra da paciência do caçador. Ele repreendeu o falcão, indignado, e pôs-se a encher o cantil novamente. Feliz, contemplou novamente o cantil cheio, mas quando ia beber do seu conteúdo o falcão o atacou de novo, derrubando o cantil pela segunda vez. Agora muito irritado, o caçador ralhou com o falcão:
- Afinal, qual é o seu problema? Acha que vou beber toda a água sozinho? E desde quando eu deixaria o meu melhor amigo morrer de sede?
Pela terceira vez, o caçador encheu o cantil, e pela terceira vez o falcão o atacou, virando-o. Furioso, o caçador encheu o cantil pela quarta vez, e quando o falcão o atacou de novo ele desembainhou a espada e tentou afastá-lo, mas este continuou atacando até que a espada o ferisse mortalmente no peito.
O falcão caiu morto aos pés do caçador. Desesperado, ele deixou o cantil de lado e começou a subir o rio, que aos poucos ia se transformando num penhasco. Chegando no topo, o caçador viu algo que fez seu coração parar. Havia uma cobra morta pelo sol abeira do agora penhasco, com a boca aberta e a língua para fora, o veneno a escorrer lá para baixo...

Moral da história: Cuidado para não confundir os seus inimigos com os seus melhores amigos.



Adaptado por Lucas Borba

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

HONESTIDADE


Por Lucas Borba

Honestidade. Essa é a palavra destinada a uma das virtudes mais difíceis de se encontrar no ser humano, senão a mais difícil. Se pararmos para pensar, passa pela nossa cabeça a ideia de que só pessoas de mau caráter são desonestas, mas não é verdade. Outro fator que leva ao ato de enganar é o medo.
Tal realidade se comprova pela grande relação que há entre a desonestidade e a mentira. Em algumas ocasiões, ser honesto significa expor ou não uma verdade da qual se sabe que o outro precisa ou não ser informado. O problema é que exposição, ou o ato de deixar de fazê-lo quando conveniente, é algo que o ser humano, por instinto, sempre tenta evitar. Durante a nossa vida, extabelecemos um padrão de realidade, de convivência, de estatos social, e construímos um porto seguro, no qual só a consciência não tem o direito de embarcar numa viagem, já que sair da nossa realidade normalmente custa um grande capital. Por isso, muitas vezes mostrar o seu caráter oculto numa sociedade que vive de aparências revela-se como uma tarefa difícil.
Assim, se desejas ser honesto, procure pesar com cuidado o que realmente é importante para você, separar as coisas de valor das coisas supérfluas ao seu próprio eu. Lembre-se de que tudo o que poderá restar de você depois que partir deste mundo, tudo o que pode lhe pertencer para todo o sempre será a lembrança, a marca das suas atitudes, do seu caráter e da sua história. Não esqueça que os atos sempre serão refletidos nas consequências, seja com um desfecho marcado pela realização em aberto pela possibilidade de redenção, ou pela total solidão no caso de quem realmente não tem caráter.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

MODERNIZADOR ULTRAPASSADO

Moderno. Essa é uma palavra que indica claramente o objetivo da palavra evolução, embora geralmente não se faça tal associação, pois o ser humano detém-se apenas no resultado final. Ou seja, para ele tudo o que é moderno é simplesmente atual. Pensando nisso, cabe a pergunta: quão moderno é o homem, afinal?
Sabe-se que a principal diferença entre o ser humano e os demais seres que habitam este planeta é a sua manifestação racional. É o tipo de capacidade que permite questionar-se: quanto tempo o homem reserva para os seus próprios pensamentos? Mais especificamente, para meditar acerca de uma vida rotineira? Quanto tempo o homem dispõe de seu dia-a-dia para se “automodernizar”, deixando de inovar apenas o que está ao seu redor? Com certeza o capitalismo nos dá a resposta a tal questionamento. Cada vez mais, o homem decide que pensar dá muito trabalho, pois terá de competir com homens que pensam mais do que ele. Assim, opta pelo caminho mais fácil: entregar-se a uma rotina mecânica e mesmo sem qualquer propósito genuíno para a sua autorrealização. Daí origina-se o estresse, os conflitos familiares e a insegurança quanto a própria potencialidade.
Num mundo onde a exclusão social impera, prossegue a realidade de um círculo vicioso que para muitos produz, mas não pensa; que concretiza, mas que por nada em si realiza; que ilude, mas não satisfaz; que pressiona, mas nada define. Num mundo onde o ter ainda prevalece sobre o ser, tudo é moderno, menos aquele que a tudo moderniza.


Lucas Borba

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

CRIANÇAS

Dizem que as crianças são manifestações da pureza, e é verdade. Ainda que pareça contraditório, gosto de dizer que elas agem segundo o que são, e não segundo o que acreditam ser. Tive novas provas disso durante o trabalho que realizei com as crianças de terceira e quarta séries do colégio La Salle Caxias, escola em que estudo desde a 7ª série. Sou portador de deficiência visual, e atualmente encontro-me na 3ª série do Ensino Médio, último ano do colegial, e fora o fato de que adoro crianças, creio que por estar partindo para a faculdade foi que se tornou ainda mais gratificante a chance de passar aquela preciosa tarde com seres que estão no comecinho de tudo.
Como ainda sou uma criança no mundo dos adultos, fiquei um pouco nervoso no começo. Ainda não tenho muito jeito para falar em público, e as crianças detectam qualquer sinal de insegurança; mas assim que o trabalho começou, fui relaxando e acabei me soltando, pois se você conhece alguém que consegue ficar nervoso perto de crianças por muito tempo, tome cuidado.
Comecei com a 3ª série. Primeiro, me apresentei: disse meu nome, idade (18 anos), citei as escolas onde estudei antes de chegar no La Salle e informei a eles que sou cego desde bebê por ter nascido com uma doença chamada Glaucoma Congênito. Depois, li para eles um livrinho infantil em braile, intitulado “Um mundinho para todos”, que fala sobre a importância de conviver com as diferenças. Eles ficaram realmente impressionados com o braile e com a velocidade com que eu o lia, e a 4ª série até quis chegar mais perto para ver melhor. Fiquei muito feliz por poder mostrar a eles que o braile não é nem um bicho de sete cabeças, mas que assim como eles aprenderam ler e escrever seus símbolos, com muito treino adquirimos prática em qualquer coisa. Por fim, tentei tocar algumas músicas no violão, mas o instrumento estava desafinado, então acabei só cantando mesmo.
E então começaram as perguntas. Já teriam começado desde o início do trabalho se as professoras que o coordenavam não tivessem pedido às crianças que as deixassem para o final. E elas tinham mesmo muitas perguntas, mas pareciam apreensivas, pois os adultos, sabiamente, lhes dizem para ter cuidado com o que perguntam a alguém, principalmente a um estranho. Em resumo, a sensação de compartilhar parte da sua história com quem você sabe que a interpretará como uma genuína fonte de exemplo, coragem e força para seguir em frente (principalmente quando se está sozinho), e a sua energia com quem é capaz de convertê-la na mais pura felicidade, é mais do que reconfortante. Nos tempos atuais, é o que podemos chamar de paz.
As crianças são mais que a esperança do futuro, são um presente para o presente; e com certeza não digo isso pela caixa de bombons com um cartão em braile contendo os agradecimentos e parabenizações em nome da escola que ganhei na hora da despedida. Só tenho a agradecer a escola pela oportunidade que tive de divulgar mais um pouco a importância de preservar hoje o que ainda há de bom. Mais que para as gerações futuras, devemos dias melhores à criança que há em cada um de nós.


Por Lucas Borba