O CAÇADOR E SEU FALCÃO
Conta-se que uma vez, um caçador andava pelo deserto a procura de aventuras com seu falcão num dos ombros. Entretanto, já há mais de um dia não bebiam água e, se não tratassem de achar um rio, um lago ou uma nascente o quanto antes, não iriam longe.
E foi então que avistaram um rio: seco. O caçador praguejou. Não havia sequer um resquício de água. Já achavam-se de todo perdidos quando, ao se aproximarem do rio, tiveram uma agradável surpresa. Estavam salvos. No centro do rio, gotas caíam do céu, no mesmo lugar e em rasuável intervalo. O caçador e seu falcão desceram até o rio em ruínas. Chegaram onde caíam as gotas e o caçador começou a encher seu cantil. Tão ocupado estava em observar o cantil enchendo que nem notou quando o falcão deixou seu ombro.
Finalmente, o cantil estava cheio. Mal acreditando no seu triunfo, o caçador já se preparava para beber quando o falcão surgiu do nada, atacando-o e fazendo com que derrubasse o cantil, derramando toda a obra da paciência do caçador. Ele repreendeu o falcão, indignado, e pôs-se a encher o cantil novamente. Feliz, contemplou novamente o cantil cheio, mas quando ia beber do seu conteúdo o falcão o atacou de novo, derrubando o cantil pela segunda vez. Agora muito irritado, o caçador ralhou com o falcão:
- Afinal, qual é o seu problema? Acha que vou beber toda a água sozinho? E desde quando eu deixaria o meu melhor amigo morrer de sede?
Pela terceira vez, o caçador encheu o cantil, e pela terceira vez o falcão o atacou, virando-o. Furioso, o caçador encheu o cantil pela quarta vez, e quando o falcão o atacou de novo ele desembainhou a espada e tentou afastá-lo, mas este continuou atacando até que a espada o ferisse mortalmente no peito.
O falcão caiu morto aos pés do caçador. Desesperado, ele deixou o cantil de lado e começou a subir o rio, que aos poucos ia se transformando num penhasco. Chegando no topo, o caçador viu algo que fez seu coração parar. Havia uma cobra morta pelo sol abeira do agora penhasco, com a boca aberta e a língua para fora, o veneno a escorrer lá para baixo...
Moral da história: Cuidado para não confundir os seus inimigos com os seus melhores amigos.
Adaptado por Lucas Borba
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
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